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Empresários dizem que mudanças de política podem comprometer seus planos
Seg, 11 de Fevereiro de 2013 18:29

O uso prolongado das termelétricas para garantir o abastecimento do mercado brasileiro de energia e as alterações das regras provocadas pela decisão de reduzir tarifas cobradas pelo serviço gerou um clima de insegurança para os empresários brasileiros. Os proprietários de empresas no país temem que essas mudanças na condução da política nacional comprometam os planos e previsões de quem pretende continuar seguindo a cartilha da sustentabilidade, com mais eficiência nos negócios.

“Os empresários programam suas atividades para dez anos a partir das sinalizações [das políticas] como o plano decenal de energia” explicou Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). “O uso das termelétricas num cenário mais permanente sinaliza caminhos diferentes do que o que estava sendo conduzido”, acrescentou.

Nos últimos meses de 2012, o baixo nível de reservatórios que abastecem as hidrelétricas do país, em consequência da seca que atingiu várias regiões, levou o governo a recorrer a essas fontes mais caras e menos limpas para complementar o abastecimento de energia. Mas, o temor do setor privado é que esse cenário prejudique as medidas de diversificação de fontes energéticas com o estímulo às fontes renováveis.

“Nosso desafio é não ir na contramão do nosso grande ganho que é uma matriz extremamente limpa, com 84% de [fontes] renováveis”, disse Marina, destacando o potencial brasileiro de fontes alternativas, como as de energia eólica e solar, que poderiam ser intensificados.

Para o setor, os estímulos criados, em momento de crise financeira mundial, poderiam reduzir os custos das renováveis, aumentando a competitividade do país em longo prazo. O governo chinês, por exemplo, está adotando medidas, aproveitando as dificuldades das nações mais desenvolvidas, para aumentar a participação das renováveis em sua matriz energética.

“O risco de emitir carbono vai ser cada vez mais contabilizado. Perde-se competitividade ao negligenciar este ritmo no Brasil. A [fonte de energia] eólica está indo muito bem e já é competitiva, mas a solar e de biomassa ainda estão sendo intensificadas e precisam de estímulos por meio de leilões diversificados”, acrescentou a presidente do conselho.

A área de energia é apontada como um dos maiores desafios para a sustentabilidade do setor no ano de 2013, segundo levantamento feito pelo CEBDS. Outro gargalo que pode comprometer o esforço pela maior eficiência dos negócios no país está relacionado à água.

Apesar de todas as conquistas sociais, com redução das desigualdades registradas nos últimos anos, o Brasil ainda está longe de universalizar, por exemplo, o acesso ao saneamento básico. Mais da metade da população brasileira ainda não tem coleta de esgoto no domicílio. O problema afeta diretamente os trabalhadores e, por consequência, a produtividade das empresas. Estima-se que 217 mil trabalhadores precisam se afastar de suas atividades por ano devido a problemas gastrointestinais e que crianças que moram em locais sem saneamento básico têm um aproveitamento escolar 18% abaixo das que vivem em locais salubres.

“Isto repercute na produtividade do trabalhador”, explicou Marina Grossi. “Quanto ao uso e consumo da água, o impacto é grande: temos de trabalhar para alterar o consumo e também o desperdício de água, que é grande, principalmente na agricultura”, acrescentou.

A pesquisa também apontou a preocupação dos empresários sobre a falta de acordos financeiros entre os países para apoiar metas de desenvolvimento sustentável no mundo e medidas para reduzir os efeitos negativos das mudanças climáticas. A crise global foi a principal justificativa usada pelos países desenvolvidos para não se comprometer com recursos para essas ações.

Outra expectativa do setor é em relação a leis debatidas no país. As atenções do setor estão voltadas principalmente para o debate sobre a regulamentação da lei de acesso a recursos genéticos. Marina Grossi acrescenta que ainda não existe maturidade legal sobre outras discussões que podem modificar significativamente o cenário de negócios no país, como a dos pagamentos por Serviços Ambientais (PSA).

Agência Brasil