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Prefeitura de Guarujá quer preservar a memória do Município

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“Um povo sem memória é um povo sem história”. A célebre frase, proferida pelo poeta, romancista, musicólogo, historiador, crítico de arte e fotógrafo Mário de Andrade (1893-1945), justifica – com todas as letras – o trabalho da historiadora Mônica Damasceno. A servidora da Prefeitura de Guarujá, que atua na Secretaria Municipal de Cultura está envolvida na preservação do Acervo Municipal. São mais de 2 milhões de processos e 10 milhões de documentos arquivados em um espaço compartilhado com a Garagem Municipal.

Prefeitura de Guarujá quer preservar a memória do Município

Dentre os registros, há ofícios, prontuários de funcionários, enfim uma infinidade de documentos, que datam desde a criação do Município. Um exemplo são os processos solicitando construção ou reforma de moradias e empresas da Cidade, como a casa do prefeito Raphael Vitiello, o Estaleiro Wilson Sons e o Cine Itapema, que ficava localizado na Avenida Thiago Ferreira. “A história da Cidade, a partir da emancipação (político-administrativa), está aqui”, disse Mônica.

Antigamente, pelos registros encontrados no arquivo público, até para fazer serviços de manutenção de um imóvel, como pintura, era necessário pedir autorização à Prefeitura. O fato pode ser compravado no processo 43/1930, em que o comerciante Antônio José Ventura solicita permissão para realizar a pintura externa do seu armazem de secos e molhados, localizado na Avenida Itália, 44.

As fichas técnicas de cada funcionário que já passou pela Prefeitura também estão guardadas no Acervo Municipal. “Já tive nas mãos o prontuário do primeiro funcionário do Município, o médico José Fóster, e das plantas da construção dos primeiros chalés da Cidade”, contou a historiadora.

Funcionários guardam a história da Cidade

Para guardar a história de Guarujá, a chefe do setor de arquivo geral da Prefeitura, Marilda Fidalgo Salgado, conta com o apoio de cinco funcionários e dois patrulheiros. Eles são responsáveis pelo arquivamento e desarquivamento de processos e demais documentações.

“As pessoas não têm noção do que há aqui. Muitos se referem ao espaço como o arquivo morto. Além do registro de todos os funcionários que já passaram pela Adminsitração, temos as plantas de construções, mostrando a evolução arquitetônica da Cidade”, disse Marilda, que tem consciência da importância do serviço prestado ao Município.

O arquiteto Fábio Eduardo Serrano, da Asessoria de Planejamento e Ordenamento Urbano da Prefeitura, é outro exemplo de preocupação com a memória arquitetônica de Guarujá. Foi sua a idéia de digitalizar os projetos dos próprios públicos do Município. Em 2009, a Administração contratou uma empresa para a realização do trabalho, que durou um ano e meio para ser concluído.

“As plantas estavam guardadas em locais inacessíveis. Fizemos uma coleta geral de tudo que havia guardado em vários pontos do Município”, explicou Serrano, que também é professor de arquitetura da Unisantos.

Segundo ele, a memória arquitetônica dos próprios públicos de Guarujá está conservada a partir da década de 60. “Muita coisa se perdeu com o tempo, pelas condições lamentáveis como estavam guardadas”, ponderou Serrano.

No total, 5.735 plantas originais foram digitalizadas. Os projetos foram catalogados por assunto, como escolas, pontes e unidades de saúde. Com isso, a consulta aos projetos ficou mais ágil.

Para o arquiteto, o acervo digital é importante, pois facilita o trabalho de coleta de dados. “Qualquer reforma em um próprio público requer a planta original. Sem isso, é necessário medir tudo novamente, para fazer as adequações”, explicou o arquiteto, ressaltando que a medida reduziu o problema de espaço físico para abrigar o arquivo. “Facilitou em termos de preservação e organização”.

Técnicos do Arquivo Estadual visitam acervo de Guarujá

Pela importância do acervo histórico do Município, técnicos do Arquivo Estadual visitarão a Cidade, na manhã de quarta-feira (27). Eles farão uma inspeção no local para verificar as necessidades de adequações e manutenção do espaço. O objetivo é orientar a Administração sobre a melhor forma para conservação dos documentos.

“A história representa as nossas memórias, aquilo de que somos feitos, o que nos foi transmitido e o que iremos transmitir às gerações futuras. Situa-nos no tempo, deixa-nos compreender melhor os nossos próprios ciclos, o nosso crescimento. Sem História, sem memória, a vida perde o sentido”, disse o secretário municipal de Cultura, Élson Maceió.

Workshop – Segundo o secretário, a pasta também realizará um workshop para orientar os funcionários da Administração Pública sobre a maneira correta de conservar os documentos. O evento denominado Conservação Patrimonial: Ações Preventivas de Acervos Históricos e Artísticos Sobre Papel acontece na quinta (28) e sexta-feira (29), das 14 às 18 horas, no Salão Paroquial Dom Bosco, da Igreja Nossa Senhora de Fátima. A atividade é realizada em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura, por meio da Oficina Cultural Pagu.

No total, são oferecidas 25 vagas, que deverão ser, preferencialmente, preenchidas por servidores da Prefeitura. O workshop será ministrado por Daisy Estrá. Graduada em Serviço Social e Pós-Graduada em Preservação e Analise de Obra de Arte, a facilitadora é técnica especializada em Conservação e Restauração. Os interessados podem se inscrever na sede da Secretaria de Cultura (Avenida Dom Pedro I, 350 - Enseada). Outras informações pelos telefones 3384-3027 e 3386-8987, com Edneuza ou Mônica.

 

Wanda Fernandes

Secom Guarujá